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Tem uma coisa mudança enorme acontecendo no marketing, e vejo poucas pessoas falando sobre isso.
Em 2026 vamos chegar num ponto de ruptura.
Conteúdo gerado por IA vai estar em todo lugar.
Estão falando que 80% do conteúdo das redes sociais vai ser gerado por IA.
Atenção nesse número.
Não quer dizer que 80% do que vemos hoje vai ser feito por IA.
Quer dizer que o que vemos hoje vai corresponder a 20% do total.
E vamos ter mais 80% de conteúdos feitos por IA inundando a internet.
O resultado disso é que nós vamos parar de acreditar na maior parte do que vemos.
Para empresas, isso implica algumas mudanças.
Segmentação ou funis inteligentes não vão mais ser vantagem competitiva.
Vantagem competitiva vai ser construção de confiança.
Pra isso, precisamos falar um pouco sobre Algorithmic Trust Engineering.
O que diabos é isso?
Basicamente, são sistemas de IA que detectam, preveem, constroem e reparam confiança em experiências digitais.
Em vez de otimizar cliques, conversões ou engajamento, a IA passa a otimizar segurança percebida, clareza, credibilidade e crença de longo prazo.
Confiança vai virar uma métrica principal do sistema, não uma ideia vaga de branding.
E olha, isso não é futuro distante. Já está acontecendo.
E, em um ano de eleições no Brasil, se prepara porque isso vai ser muito importante.
O timing disso tudo
Várias forças estão convergindo ao mesmo tempo, e é impossível ignorar.
Uma enxurrada de conteúdo feito por IA.
Consumidores ficando céticos por padrão.
Muita coisa polida, muita coisa otimizada, muita coisa perfeitinha…
É um terreno fértil para desconfiança e enganação.
Fora os deepfakes, pressão regulatória e mais opções do que jamais achamos que era possível ter para se tomar qualquer decisão.
Confiança, em meio a isso tudo, está ficando escassa e preciosa.
Mas é aí que a coisa fica interessante.
Como funciona na prática
Os sistemas de IA começam a observar sinais de confiança continuamente, não só comportamento de compra.
Eles detectam quando você hesita perto do preço ou checkout, quando você volta várias vezes para ler FAQs ou políticas, quando fica comparando com concorrentes, lendo letras miúdas com cuidado, buscando informações sobre reembolso ou cancelamento.
Até a linguagem que você usa expressando dúvida, ou atrasos antes de clicar em "comprar".
Tudo isso indica fricção de confiança, não falta de interesse.
E aqui vem a parte genial: quando a IA detecta que a confiança caiu, em vez de empurrar mais forte, ela pode responder de forma inteligente.
Pode mostrar explicações transparentes.
Pode simplificar termos e condições.
Pode reduzir urgência ou pressão.
Pode exibir riscos de forma neutra, clarear a lógica do preço, explicar por que aquela recomendação existe.
Isso tudo remove fricção desnecessária.
O objetivo muda completamente.
Sai o "converta agora" e entra o "ajude o usuário a se sentir seguro para prosseguir".
A mudança real no marketing
Antes de 2026, tudo era otimização de funil, táticas de urgência, copy persuasivo, pensamento conversão-primeiro.
Depois de 2026, teremos diagnóstico de confiança, design de transparência, UX otimizado para confiança, otimização baseada em valores.
Times de marketing literalmente param de desenhar funis e começam a desenhar caminhos de confiança.
Imagina uma fintech em 2027.
Um usuário visita a página de um produto financeiro.
A IA detecta que ele está com scroll lento na área de preço, voltou várias vezes para ler divulgações de risco e está claramente comparando com concorrentes.
Em vez de jogar um banner de desconto ou apertar o CTA, a IA pausa os banners de urgência, mostra um breakdown claro dos riscos, explica as políticas de cancelamento e mostra exatamente como o preço é calculado.
O usuário converte depois.
Mas fica mais tempo, cancela menos e confia mais.
Esse é o jogo que veremos em 2026.
As novas métricas
E claro, se o jogo muda, as métricas mudam também.
Em 2027–2028, marcas vão começar a rastrear score de estabilidade de confiança, taxa de recuperação de confiança, engajamento com transparência, taxa de aceitação de explicações, índice de confiança de longo prazo, lifetime value ajustado por confiança.
Conversão continua importante, óbvio. Mas não lidera mais.
As primeiras indústrias a adotar vão ser as óbvias: finanças e fintech, healthcare, educação, SaaS e software enterprise, e-commerce com altas taxas de devolução, negócios de assinatura.
Basicamente, qualquer lugar onde confiança impacta diretamente valor de longo prazo.
Por que você precisa prestar atenção nisso
Aqui vai o ponto para empresas: seus clientes estão desenvolvendo essa mesma desconfiança em relações comerciais.
Contratos SaaS, integrações tecnológicas, automações… Tudo envolve confiança antes de conversão.
Se você vende B2B, já deve ter notado: táticas de urgência e persuasão agressiva já não funcionam tanto assim.
O ciclo de vendas B2B está mais longo justamente por questões de confiança.
E quando você implementa sistemas de IA, eles precisam otimizar para adoção sustentável, não só eficiência imediata.
Seus clientes precisam confiar na tecnologia antes de usá-la plenamente.
As marcas vencedoras de 2027–2030 não vão ser as mais persuasivas. Vão ser aquelas cujos sistemas de IA (junto com os humanos) constroem confiança genuína.
O que fazer agora
Diante de tudo isso, aqui no Dalton Lab estamos começando do começo.
Estamos pensando em confiança como métrica, não como declaração de valores no site da empresa.
Estamos tentando construir experiências que parecem seguras, não só otimizadas.
Estamos projetando para confiança, não só para convesão.
Porque o futuro do marketing não é a mensagem mais alta. É a confiança mais silenciosa e duradoura.
Precisava falar sobre isso com você hoje.
Amanhã tem mais sobre o que estamos vivendo nas trincheiras do mundo de IA.
Enquanto isso, de volta ao laboratório.
Te vejo amanhã.
Rodrigo Spínola (Founder do Dalton Lab)
